Escrito por Unknown

A investigação no processo dos atores da Descompan(h)ia Teatral é necessária porque é dela que surge o material humano.

E para tal é necessário nos atentar para algumas coisas:

Primeiro a observação, que é fria e seca. Só olhar.

Às vezes queremos olhar e analisar ao mesmo tempo e então limitamos o nosso campo de visão.

Depois de olhar para o outro, nos olhamos, pois quando eu observo o outro eu descubro outros mundos e vejo que existe mais de uma verdade, mais de uma possibilidade, não são só as minhas verdades, as minhas possibilidades.

Então qual é a verdade que prevalece?

Nenhuma, as duas são e não são.

No contato com a verdade do outro eu coloco a minha em dúvida. E a partir do encontro com o outro que eu vou me descobrir.

Só depois das descobertas dessa investigação é que vamos dar o nosso parecer, a nossa conclusão (se é que é possível concluir algo). E só aí é que podemos analisar tudo que foi dito e feito.

Temos que fazer esse processo de investigação para tentar compreender um pouco melhor o que é isso e aceitar como as coisas são e como não há um objetivo somente.

Vejo que os atores da Descompan(h)ia estão enxergando as coisas. Mas após isso eles querem chegar a algum lugar. Em que lugar eles querem chegar?

Estão vendo e aceitando as complexidades para depois unificá-las e transformá-las em pensamento linear? =/

Pra que?

Não existe um pensamento ou forma linear, é tudo junto. É a cena de três minutos do Fernando e Herbert (atores da Descompan(h)ia, que tiveram a missão de sintetizar numa cena de três minutos a sensação que tinham com a imagem poética das palavras Navalha na Carne, do texto homônimo de Plínio Marcos, mote inicial do nosso processo), onde tivemos a impressão de estar em um grande balde e com as coisas todas sendo misturadas lá dentro.



Termino dizendo que a investigação é importante para a aceitação da realidade como ela é para depois buscarmos formas de como lidar com isso.

Descobri que o ser humano é complexo. E agora? Como lidar com isso?

E não como fazer ele NÃO ser isso.



Continuemos nossa caminhada circular, cíclica. Não há pontos de partida ou de chegada.



Até a próxima.

Alice Nascimento

15 de Março de 2009

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